quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Os dias passam...

Os dias passam, as horas se estendem, as pessoas mudam, o mundo muda e os anos vão se acumulando na expectativa de se ter uma longa história para contar aos netos, bisnetos ou o que quer que seja. Sonhei a vida toda com um futuro que quanto mais perto está, mais longe quero ficar. Imaginei situações, refleti atitudes, modifiquei pensamentos, mas não consegui fazer com que o tempo parasse e eu pudesse continuar sentada no chão na frente do escritório da mamãe vendo os carros passarem apressados, com as pessoas sempre tendo muitas coisas a fazer, contas a pagar e filhos para criar.
Quanto mais o tempo ia passando mais eu queria que ele passasse, queria ser grande, ter casa, filhos. Depois que eu vi quão rápido ele anda, desisti de querer o fazer seguir adiante e tentei faze-lo parar. Grande ilusão. O danado simplesmente olhou para a minha cara e riu dos meus inúmeros pedidos de ficar perdida no tempo e me castigou dizendo que seria o ano em que os dias passariam mais rápidos.
Dito e feito. Horas pareciam segundos diante de tantas coisas que surgiam na minha frente para serem feitas, tanto que sempre acabava adiando os afazeres por que as 24 horas de um dia eram pouco para tal. Dessa forma, sempre se acumulavam preocupações e deveres, parecia que quanto mais coisas eu fazia mais eu tinha a fazer. Quando dei por mim, eu já estava sentada na frente do computador escrevendo o meu balanço de mais um ano de vida, e conclui que não adianta querer mandar no tempo, pedir para ele andar mais devagar ou acelerar a ordem natural das coisas. Compreendi que para viver, devo arrancar as folhas do calendário, devo ver o nascer e o pôr do sol todos os dias, acordar e deitar a cabeça no travesseiro, ver as folhas verdes d’uma arvore amarelarem e caírem no chão voando com o vento que as carrega para longe. Devo aceitar que por mais que os minutos tenham a mesma quantidade de segundos, nenhum vai passar com a mesma intensidade do que o outro, nenhum vai ter o mesmo valor que o outro ou a mesmas pessoas. Então, que venham os próximos 356 dias, os próximos 12 meses ou milhares de minutos. Não importa quanto tempo eu tenho, importa apenas o que eu faço no tempo que me dão.


Kalitha Sahara Destro

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Por que é sempre assim...


Sabe, algumas vezes eu me perguntei o que faz um ser humano se entregar completamente a outro que muitas vezes não tem coisa alguma em comum com você. O que faz uma pessoa se abrir e deixar que descubram e desvendem seus segredose mistérios, se tornado uma pessoa completamente vulnerável e uma séria candidata a um sofrimento futuro.

Tá certo que se tudo correr perfeitamente bem não haverá o tal sofrimento tão temido por aqueles corações bobos que se apaixonam e caem nessa levianidade de se entregar e não deixar um segredinho sequer para o outro.

Mas sempre ocorre aquele medo, a pressão, a dúvida de se está fazendo tudo certinho, se está agradando e mlhares de outras coisinhas pequenas mas que causam o maior terremoto do mundo se não for trabalhado com calma.

É, o coração é bobo, nunca acha que irão magoá-lo realmente, acredita piamente que ninguém tem culpa de nada e que jamais a pessoa amada iria aprontar o que andam dizendo por aí. Ficamos cegos, surdos e mudos. Mas tem coisa melhor do que estar apaixonada e deixar que todo o resto do mundo exploda enquanto você está curtindo? Mas cuidado, tenha mais razão que emoção. Nunca é tarde para rever conceitos e evitar maiores desgastes.




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

À lápis ou à caneta?

Existem pessoas que passaram pelos meus dias e não fizeram muita questão de deixar nas páginas em brando da minha vida, um sinalzinho sequer. Não quiseram ou não tiveram oportunidade ou simplesmente tiveram uma errada impressão sobre atos e situações, mas garanto que tiveram tempo de dar passos atrás e tentar escrever, nem que seja a lápis e à mão leve, algumas histórias para contar aos meus netos, que podem ser apagadas, mas que não deixarão as marcas no papel.
Em contrapartida, poucas, mas verdadeiras pessoas decidiram pegar o mesmo lápis e com toda a força que seu coração pudesse suportar deixa cair alguns fatos ocorridos nas mesmas folhas em branco, e, por mais que eu quisesse, seria capaz apenas de tirar a cor do lápis do papel, mas jamais a marca forte que ele deixou pelo caminho. Marcas essas que ficam para lembrar momentos felizes, para aprender lições, para não esquecer fatos ou para simplesmente estar ali quando precisar. E, se por um acaso, erros fossem cometidos, uma segunda chance seria dada para voltar atrás e refazer os passos, mas não sem deixar aprendizado.
Os mais ousados, escrevem a caneta, onde os sentimentos surgem tão rapidamente quanto vão embora e acabam por manchar alguns dias preciosos, mas deixam a alegria expressa em cada linha escrita em desalinho com os fatos que ocorrem concomitantemente, transformando a tristeza momentânea em momentos de extrema felicidade. Apesar de virem e irem rapidamente, sempre acham oportunidade de voltar e temperam, com ingredientes para lá de especiais o que antes estava sem graça e descolorido.
Em meio a tantas formas diferentes de levar a vida, a melhor maneira de se escrever uma história é levando em consideração as diferenças, os limites e o tempo. Sabendo escolher, qualquer um pode ter o seu tão esperado final feliz como nos contos de fada.