Os dias passam, as horas se estendem, as pessoas mudam, o mundo muda e os anos vão se acumulando na expectativa de se ter uma longa história para contar aos netos, bisnetos ou o que quer que seja. Sonhei a vida toda com um futuro que quanto mais perto está, mais longe quero ficar. Imaginei situações, refleti atitudes, modifiquei pensamentos, mas não consegui fazer com que o tempo parasse e eu pudesse continuar sentada no chão na frente do escritório da mamãe vendo os carros passarem apressados, com as pessoas sempre tendo muitas coisas a fazer, contas a pagar e filhos para criar.
Quanto mais o tempo ia passando mais eu queria que ele passasse, queria ser grande, ter casa, filhos. Depois que eu vi quão rápido ele anda, desisti de querer o fazer seguir adiante e tentei faze-lo parar. Grande ilusão. O danado simplesmente olhou para a minha cara e riu dos meus inúmeros pedidos de ficar perdida no tempo e me castigou dizendo que seria o ano em que os dias passariam mais rápidos.
Dito e feito. Horas pareciam segundos diante de tantas coisas que surgiam na minha frente para serem feitas, tanto que sempre acabava adiando os afazeres por que as 24 horas de um dia eram pouco para tal. Dessa forma, sempre se acumulavam preocupações e deveres, parecia que quanto mais coisas eu fazia mais eu tinha a fazer. Quando dei por mim, eu já estava sentada na frente do computador escrevendo o meu balanço de mais um ano de vida, e conclui que não adianta querer mandar no tempo, pedir para ele andar mais devagar ou acelerar a ordem natural das coisas. Compreendi que para viver, devo arrancar as folhas do calendário, devo ver o nascer e o pôr do sol todos os dias, acordar e deitar a cabeça no travesseiro, ver as folhas verdes d’uma arvore amarelarem e caírem no chão voando com o vento que as carrega para longe. Devo aceitar que por mais que os minutos tenham a mesma quantidade de segundos, nenhum vai passar com a mesma intensidade do que o outro, nenhum vai ter o mesmo valor que o outro ou a mesmas pessoas. Então, que venham os próximos 356 dias, os próximos 12 meses ou milhares de minutos. Não importa quanto tempo eu tenho, importa apenas o que eu faço no tempo que me dão.
Kalitha Sahara Destro
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
o tempo é o senhor de tudo, mas concordo que as vezes ele deve ser esquecido!
amiga, saudade!!
Postar um comentário